Em breves palavras, o que foi, afinal, o 25 de Novembro de 1975?
Foi o processo através do qual as principais forças políticas chegaram a um entendimento a fim de encerrar o PREC. Desse entendimento, foram excluídos a extrema-esquerda que pretendia continuar o PREC e aquela parte da direita que, ao contrário, desejava desfazer o PREC, e que se revia em Francisco Sá Carneiro (mais nele do que no PPD) e no CDS.
25 de Abril e 25 de Novembro merecem ser tratados com antagonismo, como diversas vezes o são, ou, pelo contrário, como partes que se complementam num objectivo geral?
São de facto complementares. Para muitos dos militares que protagonizaram o 25 de Novembro de 1975, tratava-se de recuperar, contra a ameaça de uma ditadura comunista, o grande objectivo que explicou a adesão geral do país ao movimento de 25 de Abril de 1974: o estabelecimento de uma democracia em Portugal.
A comemoração do 25 de Novembro pela Direita portuguesa tem, de facto, razão de ser?
Em parte. O 25 de Novembro pôs fim ao poder da chamada “esquerda militar”, assente nas unidades do COPCON (Comando Operacional do Continente). Sem isso, nunca teria sido possível a democracia moderna e europeia que veio a desenvolver-se em Portugal nos anos seguintes. Mas o 25 de Novembro não produziu logo uma democracia civil, que só viria a ser consagrada pela extinção do conselho da revolução em 1982, e manteve limites à liberdade empresarial dos cidadãos que seriam levantados apenas com a revisão constitucional de 1989, depois de muitos anos de campanha do PSD e do CDS.
Quais os reflexos do 25 de Novembro de 1975 no Portugal de hoje?
O 25 de Novembro foi o resultado de um compromisso, que envolveu os principais partidos políticos, sob arbitragem das Forças Armadas. A constituição de 1976, contra a qual só o CDS votou, reflectiu esse compromisso de um modo até contraditório: por um lado, temos o socialismo; por outro, eleições livres e um Estado de direito. O 25 de Novembro terá evitado uma guerra civil, mas contribuiu para criar uma cultura de entendimentos, de meias-tintas, que reage muito mal à iniciativa política e ao debate. Em 1979-1980, a primeira AD, de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, tentou ir contra esses limites do sistema político.
Em entrevista ao Centro de Estudos Gonçalo Begonha.
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