Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Tecnocratas de 5ª linha

  • Em Portugal passou a ser moda dizer mal da Troika. Primeiro foram críticas difusas, vindas sobretudo de lobbies com as "conquistas" em perigo. Depois a coisa engrossou.
    Fernando Ulrich, que conserva uma saudável costela dos tempos de jornalista, passou-se ao qualificar a Troika de "funcionários de 5ª ou 7ª linha". Ontem foi Mário Soares, no "i", a corroborar Ulrich: "A Troika é um conjunto de tecnocratas de 5ª ou 7ª linha, que julgam poder governar por nós. Alguém aceitará que tecnocratas estrangeiros, de várias procedências, governem o nosso país?".

    É estranho ver duas pessoas que lidaram de perto com o sufoco que Portugal viveu nos anos 80 (Soares como 1º ministro e Ulrich como chefe de gabinete do ministro das Finanças da AD) dizerem estas barbaridades. É verdade que a Troika, na última visita a Lisboa, exagerou no tom. Mas como o diagnóstico foi certeiro, isso devia ser suficiente para não os insultarmos. Até porque não fica bem cuspir na mão de quem nos tirou da bancarrota.

    Acresce que o país só teria a ganhar se ouvisse os "conselhos" de quem tem algo para nos ensinar em matéria de finanças públicas e economia. Eu sei que há pessoas que, por razões ideológicas (ou outras...), não aceitam isso. Mas a esses sugiro que olhem para os países daqueles tecnocratas (Alemanha e Dinamarca) e respondam à pergunta: algum deles está na bancarrota? Ah!, outra pergunta: e se a Troika dissesse que o problema de Portugal é ter políticos de 5ª ou 7ª linha? É que é a terceira vez que pedimos ajuda em 34 anos. E como não há outro caso assim na União Europeia...


  • Camilo Lourenço

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