Não gosto de diminutivos. Gosto tanto de diminutivos como de couves de bruxelas, mas já não me choca mandar alguém para o "caralhinho". Porque o caralhinho não é bem um sítio, nem se refere a um pénis minúsculo. Afinal, seria absurdo mandar alguém para o caralhinho como se estivesse a mandar alguém para o caralho pequenino alheio, para o dele próprio ou para o meu. Em primeiro lugar, porque, não sendo adepto da genitália masculina, desconheço o tamanho do pénis das pessoas com quem falo (do verbo falar). E em segundo lugar, porque tenho um avô nigeriano.
Feita a excepção do caralhinho, aqui solenemente vos declaro que não gosto de diminutivos. Não gosto do "coitadinho", do "atrasadinho", do "pequenininho" ou dos cornos do Manuel Pinho. Gosto de ir à tasca - e não à tasquinha - e pedir um bife - não um bifinho - com batatas, arroz, ovo e salada - e não batatinhas, arrozinho, ovinho e saladinha. E beber tinto do garrafão. Quem pede um copinho - ou um copito - de vinho, não sabe do que gosta, não sabe o que quer e tem tanta tendência para a androginia como eu tenho para a psicologia barata. Já "vinho" em si - que deve ser diminutivo de "vinhaça" - é uma palavra demasiado fofinha (merda!) para descrever o vinho em si, que, de resto, nada tem de amoroso ou de paneleiro.
Feita a excepção do caralhinho, aqui solenemente vos declaro que não gosto de diminutivos. Não gosto do "coitadinho", do "atrasadinho", do "pequenininho" ou dos cornos do Manuel Pinho. Gosto de ir à tasca - e não à tasquinha - e pedir um bife - não um bifinho - com batatas, arroz, ovo e salada - e não batatinhas, arrozinho, ovinho e saladinha. E beber tinto do garrafão. Quem pede um copinho - ou um copito - de vinho, não sabe do que gosta, não sabe o que quer e tem tanta tendência para a androginia como eu tenho para a psicologia barata. Já "vinho" em si - que deve ser diminutivo de "vinhaça" - é uma palavra demasiado fofinha (merda!) para descrever o vinho em si, que, de resto, nada tem de amoroso ou de paneleiro.
Imaginem o bacalhau. Pronunciem a palavra "bacalhau". Bacalhau é coisa séria e imponente (não é do nada que o Quim Barreiros utiliza tanto o bacalhau para descrever a genitália feminina). Comer uma posta de bacalhau envolve um ritual. Uma couve (palavra bastante rude) e copos de vinho. Da garrafa ou do garrafão. Agora experimentem pedir ao empregado de mesa uma "postinha de bacalhau" com uma "couvinha" a acompanhar. «Quer também uma batatinha?», perguntaria o empregado. «Não, não, traga-me antes uma cenourinha, que me faz os olhos bonitos», responderia você, o imbecil. Isto não teria lógica nenhuma. Já para não falar da merda da teoria das cenouras e dos olhos bonitos, que é estúpida como tudo. Sim, sim, ó gente da saúde, barafustem para aí e falem sobre vitaminas, que eu já vos mando para o caralhinho.
Mesmo o bacalhau desfiado nunca pode ser à Brás ou com natas. Tem de ser coisa de homem grande: à posta. No limite, come-se punheta de bacalhau, que é coisa séria, ordinária e tem cebola e alho, o que é uma prova de esforço quase tão grande quanto o triatlo.
Esta mania portuguesa de pedir tudo em pequeno, de falar das coisas como se elas fossem insignificantes é um bocado irritante. Parece sempre que quem fala assim pede licença para cagar quando está sozinho em casa. O atrasado mental que pede um copinho de vinho, tem, na verdade, medo de pedir um copo de vinho. Não faz questão de se afirmar e, ao empregar a palavra "copinho", quase pede desculpa ao mundo por estar a beber um Dom Pérignon (quando devia mesmo pedir desculpa ao mundo por beber Casal da Eira do pacote).
Esta mania portuguesa de pedir tudo em pequeno, de falar das coisas como se elas fossem insignificantes é um bocado irritante. Parece sempre que quem fala assim pede licença para cagar quando está sozinho em casa. O atrasado mental que pede um copinho de vinho, tem, na verdade, medo de pedir um copo de vinho. Não faz questão de se afirmar e, ao empregar a palavra "copinho", quase pede desculpa ao mundo por estar a beber um Dom Pérignon (quando devia mesmo pedir desculpa ao mundo por beber Casal da Eira do pacote).
Esta gente mata-me. Não é depressa, é... devagarinho. Mas mata.
Feliz Ano Novo, ó gente!
Feliz Ano Novo, ó gente!
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