Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

O Congresso da ANAFRE e as forças da reacção

Gostava muito de dizer que este fim-de-semana assisti a uma discussão séria sobre o Documento Verde da Reforma da Administração Local. Gostava, mas não posso.
Os autarcas de freguesia deste país reuniram-se em Portimão com esse propósito, mas não foi isso que fizeram. As intervenções foram, maioritariamente, fracas e vazias. Com excepção de dois ou três casos, os presidentes de junta e de assembleia de freguesia foram a Portimão queixar-se do Documento Verde e apresentar medidas de contestação. Faltou a parte mais importante: discutir o Documento e apresentar soluções alternativas à construção de um novo modelo de Administração Local.
No fundo, o que aconteceu no Congresso da Associação Nacional de Freguesias é simples de explicar. A maioria dos delegados presentes eram afectos ao PCP. E com isto não preciso de dizer muito mais. Mas digo.
O PCP, partido velhinho, reaccionário e pró-fascista, não gosta realmente de democracias, não gosta de ouvir aqueles que lhes dizem coisas diferentes daquelas que vêm na cartilha. Não respeita os outros. E não se dá ao respeito. Mas, apesar de tudo, é um aglomerado de ditadores muito bem organizadinho e fez questão de o provar no Congresso da ANAFRE.
O Documento Verde não é perfeito. Tem falhas - muitas - e carece de discussão séria sobre o seu conteúdo. O necessário, nesta fase da reforma, era que os autarcas se dignassem a apresentar soluções e contrapropostas. Mas também era imperativo que os autarcas estivessem dispostos a isso.
No primeiro dia do Congresso, as intervenções, maioritariamente inflamadas, sucediam-se e o vazio era comum a quase todas elas. Os autarcas do PCP, fascistas organizadinhos, monopolizaram o Congresso. Era um regalo vê-los, um após um, encher a boca, no púlpito, com os "interesses das populações" e com o "poder local democrático". Pelo meio, os democratas do poder local incentivavam ao abandono da sala e ao insulto quando o ministro Miguel Relvas entrasse naquela sala. A democracia dos autarcas do PCP não lhes permite ouvir, democraticamente, os outros. É um hábito que não me espanta. Um gajo que vive no Seixal sabe lidar com estas merdas.
Ia decorrendo o congresso. E percebi depressa que o "interesse das populações" era, afinal, o interesse de cada um daqueles autarcas. Do seu status quo. Do seu poder, do cemitério ao café. Também não me espantou. E nem precisava de viver no Seixal para lidar bem com estas coisas. Bastava-me ter dois dedos de testa. E tenho.
No final do Congresso, as promessas tornaram-se realidade. Os autarcas do PCP montaram o circo, levantaram os seus panos pretos e abandonaram a sala (ou quase). Os fascistas organizados não estiveram para ouvir Miguel Relvas. Votaram as conclusões do Congresso (qualquer coisa como "não gosto disto, pá, arranjem-nos outra coisa qualquer ou deixem estar tudo como está, antes que eu parta esta merda toda"), assobiaram, apuparam e a sala ficou reduzida a menos de metade. Nesta altura não resisti. Senti o sangue a subir-me à cabeça e fiz uma coisa que nunca tinha feito: aplaudi de pé Miguel Relvas. Sim, quando o sangue me sobe à cabeça faço coisas assim, tipo, bué malucas, eu sei.
Feitas as contas, os autarcas de freguesia prestaram-se a um lindo espectáculo. O PCP e os seus agentes fascizóides fizeram o que se esperava. Mas a verdade é que o PCP representa (vá, vamos ser simpáticos) cerca de 5% das freguesias. Cinco por cento, porra. Os outros 95% onde é que andavam? Onde estavam os autarcas do PSD, do CDS e do PS (os sãos, só, fáxavor)?
Aquilo que o PCP fez em Portimão foi manchar a dignidade de todos os autarcas do país. E a maioria dos autarcas deixou. A inércia e o laxismo, a desorganização e o desinteresse, deram espaço ao PCP para que um bando de ditadores falasse pelos autarcas deste país. O Documento Verde passará e os seus defeitos não serão - ou serão pouco - corrigidos. Porque o PCP assim o quis. E porque os autarcas dos partidos democratas assim o permitiram. Depois não se venham queixar.

P.S.: Aqui fica para a posteridade o resistente anti-fascista (ou anti-comunista, tanto faz, desde que os irrite) e mais quatro guerrilheiros depois do abandono das forças reaccionárias.

P.S.2: "E oxalá que, realmente, não tenhamos que um dia encher a arena de Portimão com muitos contra-revolucionários, antes que os contra-revolucionários nos metam a nós em Portimão". Gostam, gostam? Não é bonito, pois não?


12 comentários:

Anónimo disse...

Não sendo eleito em nenhuma Freguesia, presumo que foi a Portimão apenas pra aplaudir o Relvas!

Anónimo disse...

Exmo. Senhor

Se o que diz não estivesse eivado de falsidades, até valia a pena dizer-lhe que em 1300 delegados, os da CDU não eram mais de 300, que as intervenções a pedir a demissão do ministro vieram do lado dos eleitos do PS e do PSD e que, tal como disse o Sr. Professor Marcelo REbelo de Sousa, as conclusões do congresso foram votadas por clara maioria e não foram por unanimidade porque dois eleitos do psd que são simultaneamente deputados nacionais se abstiveram... afinal se o senhor lá estava no lugar dos delegados também votou favoravelmente as propostas de conclusões apresentadas...

Nuno Gonçalo Poças disse...

Meus caros,

presto-vos aqui, excepcionalmente, esclarecimentos relativamente aos vossos comentários. Não porque mereçam especialmente, mas porque extraordinariamente me apetece.

1. Fui a Portimão acompanhar a discussão do Documento Verde. Estive, durante a maior parte do tempo, na bancada e não nos lugares destinados aos delegados.

2. Supor que fiz centenas de quilómetros para bater palmas não tem adjectivação. Ninguém, no seu pleno juízo, vai do Seixal a Portimão para aplaudir um homem. Ainda se fosse uma jeitosa qualquer...

3. Não estavam 1300 delegados na sala.

4. O que vi foi o PCP a monopolizar as intervenções. Um delegado que estava comigo, quis inscrever-se para intervir e fê-lo nos 5 minutos após o anúncio por parte do Presidente da Mesa de que as inscrições estavam abertas. Resultado: em 5 minutos, esgotaram as intervenções para os 2 dias. Se isto não é concertado pelo PCP, eu sou um ornitorrinco.

5. Chamar o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa à discussão é irrelevante.

6. Eu não era delegado. Logo, não votei as propostas de conclusões. Porque não podia.

7. Para que não haja dúvidas, sentei-me no lugar dos delegados, porque assim mo permitiram, quando já não havia nada para votar. Ou seja, para ouvir as intervenções finais. E nessa altura, o sítio onde estava sentado era completamente irrelevante. Até podia andar a flutuar pelo meio da sala.

8. O PCP decidiu organizar aquele triste espectáculo ainda na sexta-feira. As intervenções dos seus delegados provam-no. E a reunião que o PCP teve no sábado às 8h30 prova-o ainda mais. Ou não?

Também estive lá disse...

Pois é meu caro doente. A Sindrome Demencial de que padeces não tem mesmo cura. Vai acompanhar-te até ao momento do fechar de olhos.

De tal modo assim padeces que conforme o teu comentário a dúvida está instalada em ti.

Efectivamente deves ser mesmo um ornitorrinco pois, no que ao PCP diz respeito, nada mais se poderá dizer do que ser um partido organizado.

Reuniões às 8,30 horas? Pois é. O PCP é um partido organizado, discute colectivamente os problemas e quando estão em causa os interesses das populações, nem que fosse à quatro da madrugada não deixariam de comparecer.

Ao contrário, porventura de vocês. Preguiçosos ao ponto de que nem os interesses das populações vos fizeram levantar da cama para honrarem os compromissos que vos levaram até ao Algarve. Passeatas com a família à conta do erário público é o que de mais interessante, tu e a generalidade dos teus amigos sabem fazer.

Ora, sendo o PSD o partido que mais presidencias tem de juntas de freguesia, e que por si só asseguravam a maioria, onde é que estiveram na altura das votações?

Porque é que a maioria das propostas em discussão e desfavoráveis ao teu excelentissimo governo foram votadas com maioria?

E para terminar, sendo a iniciativa de Portimão um evento exclusivo a eleitos de juntas e assembleias de freguesia, em que qualidade estiveste lá? És eleito em alguma junta de freguesia? Qual? Ou confirmar-se-á então que o que te levou a Portimão foi mesmo para aplaudir o Relvas e pelo caminho aproveitando a boleia, servir de acompanhante, sabe-se lá às custas de quem?

Mas mais ainda. Em que qualidade é que a tua "metade" também esteve lá? Mandatada por quem? Porque órgão? Representando quem? Que população? Como é que ambos obtiveram os respectivos cartões de ingresso no Congresso?

Pois é... finalmente, e também agora, quem é que pagou a conta do Hotel? Tú, a tua "metade" ou a junta que - por baixo do pano - vos arranjou os cartões, meu caro ornitorrinco?

Será que estamos perante um caso de polícia, meu caro doutor? Você entendido ajuizirá!

Anónimo disse...

No zoo existe um elefante que sabe tocar o sino este boy sabe bater palmas.

Nuno Gonçalo Poças disse...

Isto está tão bom. Digo eu, que não gasto um tostão ao erário público e fiquei a dormir numa casa particular. Está óptimo. Continuem a espumar da boca. O papai está amando, garotos!

Também estive lá disse...

Pois é querido...

A resposta é clara.

Fácil é concluir que a tua presença no Congresso foi fraudulenta.

Será mesmo caso de polícia?

Não só és ornitorrinco, por opção própria, como também para além dos tiques, és também oportunista, para não dizer parasita político.

Quanto à espuma, dá-me um prazer imenso quando tomo banho...

asor disse...

Permita-me que o trate por ornotorrinco (Ornithorhynchus anatinus) e peço desculpa ao pobre animal por estar a compara-lo consigo. Como já cheguei à conclusão que não é um eleito, (e por isso tem dor de cotovelo), por alguma junta de freguesia, pergunto qual era o seu estatuto neste congresso? Talvez mercenário pago pelo PSD (Miguel Relvas), para se infiltrar e estar presente na hora do discurso do patrão, para que este não estivesse completamente sozinho a discursar para cadeiras vazias. E já agora como conseguiu obter as credenciais para entrar num local onde era apenas permitido os autarcas? Claro está, funcionou a influência dos padrinhos do PSD, aliás como é hábito.
Recomendo-lhe com urgência a consulta de um Psiquiatra para não continuar a sofrer tanto.

camarro disse...

Ò puto deixa lá , que mal tem ser "penetra"?E as claques ainda não foram proibidas pois não?è assim mesmo borrifaste na segurança , na organização da Anafre, da Junta e da Camara de Portimão, deixa-los mal vistos mas que se lixem.Tu espertalhão do caneco, penduraste no ministro e sampaste a bater-lhe palmas na primeira fila.
É assim que muita boa gentinha ganha a vida porque não tu?
Na tua freguesia só abriste até agora a boca para contestares uma taxa de 10€ que queriam cobrar para o uso de um qualquer equipamento publico.
Foi poucochinho? Não foi nada ,já deu para ir pendurado no ministro até Portimão e depois bater palmas ao tipo .
Ah ,mas tiveste de mentir agora.
E depois ?O que falta para ai são mentirosos porque não tu tambem.Mas diz lá era escusado não era?
Escusavas de esquecer aqueles que quase 100 homnens e mulheres eleitos democráticamente pelas populações com quem convivem a todos os instantes e que assim tambem inclues no atestados de menoridade que lhes passase que um tarás de outro foram escurecendo as páginas do livro verde a té ficar claro que afinal era negro. Então não os ouviste dizer que Esposende ficaria sem nenhuma das suass actuais fregeusias, que lamego ficarai com uma das actuais 84, que Braga tambem perderia 60% só par citar alguns exemplos?
Não os ouviste denunciar que por 21 recenceadso há fregueisas que o vão deixar de ser e outras com o mesmo destino por que distam a compasso menos 8 metros da sede do concelho que os 3000 que quer o livro do ministro onde te penduraste?
E aqueles que lembraram que já lhes retirararam, as escolas, os correios, os centros médicos e agora lhes querem tirar a junta onde as populações podem resolver os seus problemas diários?
Tu que tão pouco falas onde deves que propostas escrevestes para te dares ao desplante de criticar todos estes portugueses.Eram todos comunistas?Sabes que não.Como poderiam ser de todos menso 2 quereram simultaneamente deputados aprovaram as conclusões do Congresso?Como poderiam ser todos comunistas se na moçaõ 15 houve 460 votos a favor 350 contra e 90 abstenções( mais voto menos voto foi assim ) Então os comunistas tão organizadinhos na reunião das 8,30h,( maus hábitos de quem esta´habituado a levantar cedo para trabalhar)dividiram-se assim a meio só pelo texto d aproposta do jovem presidente da Orca?
Sabes que não, e porque sabes não irritas ninguem, mas consegues que todos tenham pena de ti.
Caro Penetra, permite-me um conselho: tem cuidado se continuas assim pendurado e o ministro decidir andar depressa ainda te castiga por lhe aleijares os joelhos com a cabeça.

Anónimo disse...

A maioria das intervençoes no Congresso foram feitas por autarcas do PSD e PS o que é natural porque são maioritarios ! e essas intervençoes foram tão criticas para com o designado Livro Verde como as intervenções de Delegados do PCP ! e o abandono da sala foi de cerca de 2/3 dos participantes.. ou seja, por um elevado numero de autarcas necessariammente do PSD ! Obvio não? O PCP tomou organizadamente a iniciativa? Pois..já eramos assim na luta contra o fascismo !

Atento disse...

Na geraçao 80 vi muitos desenhos animados e tb vi o Robin dos bosque agora numa versão mais moderna em que se rouba aqueles que todas a vida trabalharam .
Tudos têm o seu preço o teu é andares ajoelhado atras do Relvas pq ñão te vi a defenderes o Centro de saude de Amora nao te vi a defenderes os transportes etc.Das me nojo.

Anónimo disse...

Realmente o senhor é que deve ser um fascista de primeira que não fez mais nada nesta sua intervenção que atacar de forma desmesurada o PCP. Porque será? Porventura por rever neste partido o único capaz de mobilizar pessoas, de apresentar ideias, de suprema organização... Vocês PSD,CDS/PP e mesmo PS são uns ignóbeis acéfalos que não sabem mais que tremerem de "medo" perante a inteligência de um grande partido como o Partido Comunista.