Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

O Renascer dos Mortos


A meio dos anos 90 a moda eram os dinossauros – um dia enjoámos de tanto fóssil e a brincadeira parou. Em 2011 é a arqueologia política que está na ordem do dia.

Jorge Sampaio. Presidente da República durante 10 anos, responsável directo pela queda de um Governo maioritário, autor da célebre frase “Há mais vida para além do défice”, Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações (seja lá isso o que for), voltou à pátria para nos dizer… que, afinal, há mesmo mais vida para além do défice. Depois de tanto tempo, o senhor não aprendeu nada. A comunicação social continua a dar-lhe tempo de antena.

Otelo Saraiva de Carvalho. O homem que quis “agrupar” pessoas no Campo Pequeno, cabecilha das FP-25, organização terrorista responsável por um número interminável de atentados à bomba, assaltos a banco e assassinatos, homem de “coração bom”, segundo Mário Soares, voltou a abrir a boca para incentivar um golpe militar que derrubasse o Governo. Depois de tanto tempo, o senhor não aprendeu nada. A comunicação social continua a dar-lhe tempo de antena.

Mário Soares. Primeiro-ministro durante quatro anos, Presidente da República durante dez, Eurodeputado durante cinco, senhor de uma educação (vide episódios Snu Abecassis e Nicole Fontaine) e seriedade notáveis (vide campanha pelo próprio filho em dia de eleições), depois de anunciar o abandono da vida política, voltou à carga, incentivando o espírito revolucionário, excitado com a Primavera Árabe. Soares, um dos obreiros da democracia, entusiasmado com revoltas contra ditaduras, quer que os portugueses se revoltem da mesma forma contra a democracia que ele próprio ajudou a consolidar. Soares, um dos principais agentes políticos dos últimos 40 anos, voltou a abrir a boca para dizer que não tem nada a ver com o estado a que isto chegou e que nunca aplicou medidas de austeridade. Depois de tanto tempo, o senhor não aprendeu nada. A comunicação social continua a dar-lhe tempo de antena.

Os velhos dinossauros da política portuguesa, do alto das suas poltronas e de dentro das suas chinelas, lá vão gritando por uma revolução. Ou por uma revoltazinha. Ou uns tirinhos, uns presos e uma cantiga popular. Qualquer coisa lhes serve, desde que o cheiro a pólvora ande no ar e que o Portugal dos últimos 40 anos seja o Portugal do futuro. Os velhos dinossauros da política portuguesa continuam a querer viver à sombra dos momentos de glória que tiveram. É justo que o queiram. Não é justo é que figuras históricas e fossilizadas, ao apontarem um caminho que está esgotado, continuem a ter a atenção da comunicação social. É que o mundo de 2011 já não é o mundo de 1974. Os dinossauros também não sobreviveram às alterações do planeta. É por isso que, nos anos 90, os íamos ver, em maquetes, a museus. Ninguém se lembra de ver o T-Rex a abrir telejornais, pois não?

2 comentários:

Bill disse...

nunca vi tanta mentira tão mal disfarçada. como é que consegues viver contigo mesmo!?

Daniel Geraldes disse...

CLAP CLAP CLAP