Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012
O meu Portugal
O meu Portugal é o Portugal dos Descobrimentos, das loucuras em busca de realidades que em muito ultrapassavam a ficção, da loucura romântica do desbravar de novos Mundos para além da imaginação triste e pobre. É o Portugal do naufrágio e da pimenta, é o Portugal da mistura e do sangue lusitano, é o Portugal que dobra cabos das Tormentas e os transforma em Boas Esperanças. É o Portugal dos feitos que, de tão inimagináveis, eram imprudentes e fizeram até corar o mais lógico dos velhos do Restelo. É o Portugal que adopta e adapta, entra Gótico e sai Manuelino. É o Portugal minúsculo, pequeno na Europa e enorme no Atlântico. É o Portugal da saudade, e da música enquanto Fado colectivo. É o Portugal da pronuncia do norte e das aldeias caiadas a branco do sul. É o Portugal das praias do Algarve e do vinho tinto do Douro. É a Lisboa multicultural e inspiradora, onde se respiram castanhas assadas e se transpira Império. É o Portugal da Epopeia, da genialidade de Camões, da terra de Torga, da fantasia de Pessoa e da promíscuidade de Bocage, da crítica de Eça e da cultura de D.Carlos I. É o Portugal das Naus, das Caravelas, do Brasil e de Moçambique, do bacalhau e dos Açores. É o Portugal da saudade Sebastianista e de Dezembro de 1640. É o Portugal dos livros de Coimbra e das pontes do Porto. É o Portugal do fervente Alentejo e da gélida Estrela. É o Portugal de Fátima e de Miranda. É o Portugal escrito por Camões, musicado por Fausto, cantado por Amália e rematado por Eusébio. É o Portugal da azeitona, das Quinas e do Escudo. É o Portugal branco e azul tanto quanto verde e vermelho. É o Portugal da Expo 98 e de Rio de Onor. É o Portugal do Padre António Vieira e de Santo António. É o Portugal de Bordalo Pinheiro e de Almada, de Cotinelli Telmo e de Raúl Lino. É o Portugal cohabitam Salazar e Vasco Santana. É o Portugal dos telhados de lousa e dos golfinhos do Sado. É o Portugal puro sangue de Alter e do par de bandarilhas de Bastinhas. É o Portugal de António Variações, Carlos Paião de Júlio Dantas. É o Portugal das livrarias e dos alfarrabistas, das feiras de rua ao Domingo, dos diminutivos e da simpatia generalizada. É o Portugal pobre, mas honrado. É o Portugal das tortuosas veias de Alfama e das pedras de Guimarães. É o Portugal de Tordesilhas, de Olivença e de Salvador da Bahia. É o Portugal de Vasco da Gama, Gago Coutinho e Sacadura Cabral. É o Portugal do azulejo, do pastel de Belém e da calçada de pedra. É o Portugal de Aleixo e de Aristides. É o Portugal de Amadeo e Sophia. É o Portugal da TAP e de Maria Mattos. É o Portugal de D.Carlota Joaquina e de D.Maria I. É o Portugal de Mafra e de Bragança. É o Portugal de Villaret e Viegas. É o Portugal dos contrastes, das contradições, d'A Portuguesa, das cores, dos cheiros e dos sabores. É o Portugal da diversidade e da globalidade. É o Portugal que redesenhou o mapa e o Mundo. É o Portugal que, a choro e sem juízo, mostrou o caminho, liderando e marchando onde todos os outros apenas se atreviam a desenhar. É o Portugal dorido e atacado mas que nunca cai e, a morrer, morrerá de pé como as árvores. Onde falhámos nós tão grande, redonda e desgraçadamente para parirmos Cavacos, Sócrates, Jardins, Varas, Bibis, Cristianos Ronaldos, Isaltinos, Otelos e demais párias? Quando parámos de gostar daquilo que é inalienavelmente nosso, a Pátria? Não tenho medo dos maus, nem tão pouco do silêncio dos bons. Tenho medo dos estúpidos.
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)
1 comentários:
Gostei imenso do seu post.
Mas colocar o Cristiano Ronaldo, um dos melhores jogadores de futebol do mundo, e que o deve a muito trabalho, junto do Isaltino, Bibi e Vara... parece-me desadequado.
Obrigado.
Enviar um comentário